Musculação, Artigos Científicos, Cursos, Eventos e Video-aulas
PESQUISAR:

  PROCURAR

Artigo comentadoArtigo original

ESTUDO PROSPECTIVO DA FORÇA MUSCULAR E MORTALIDADE POR TODAS AS CAUSAS EM HOMENS COM HIPERTENSÃO ARTERIAL

Artero EG, Lee DC, Ruiz JR, Sui X, Ortega FB, Church TS, Lavie CJ, Castillo MJ, Blair SN.

Granada, Spain; Columbia, South Carolina; Huddinge, Sweden; Baton Rouge and New Orleans, Louisiana

Journal of the American College of Cardiology Vol. 57, No. 18, 2011 - © 2011 by the American College of Cardiology Foundation ISSN 0735-1097/$36.00 - Published by Elsevier Inc. doi:10.1016/j.jacc.2010.12.025

Comentários: Prof. Dr. José Maria Santarem

Os autores iniciam o trabalho comentando que cerca de 8 milhões de mortes anuais do mundo são devidas à hipertensão arterial sistêmica (HAS), definida como Pressão Arterial Sistólica maior ou igual 140 e Pressão Arterial Diastólica maior ou igual 90 mmHg. O aumento da prevalência da obesidade tem sido apontado como um fator negativo que se contrapõe ao diagnóstico mais freqüente e ao tratamento otimizado.

A aptidão cardiorespiratória (ACR) é reconhecida como indicativo de menor risco de morte em muitas situações de doença, incluindo a HAS. A força muscular é um fator cada vez mais reconhecido para a mesma finalidade e que atua de forma independente da ACR. Os autores comentam que cada vez mais instituições de prestígio recomendam o treinamento resistido (TR) para promoção de saúde e de aptidão. Revisões por meta-análise documentam que o TR pode produzir reduções em repouso de aproximadamente 3,0 mmHg na pressão arterial sistólica e de cerca de 3,5 mmHg na pressão arterial diastólica, sendo os efeitos mais acentuados em pessoas hipertensas. Assim sendo, o TR passou a ser uma indicação para auxiliar no tratamento da HAS e não apenas uma atividade tolerada, nunca contra-indicada.

Muitos estudos estabeleceram uma correlação direta entre a força muscular e a menor ocorrência de mortes por todas as causas, mas não existiam estudos especificando a população de pessoas com HAS.

Entre 1.980 e 2.003, 1.506 homens com idade igual ou superior a 40 anos e com PA maior ou igual 140/90 mmHg foram avaliados periodicamente em parâmetros clínicos e laboratoriais, incluindo um teste de força com 1 RM (uma repetição com carga máxima) no press peitoral e no leg press, e um teste ergométrico máximo para ACR.

Os participantes foram divididos em seis categorias de acordo com o grau de força muscular combinado com o grau de ACR:

1) Força baixa e ACR baixa (considerado o grupo de referência)
2) Força média e ACR baixa
3) Força alta e ACR baixa
4) Força baixa e ACR alta
5) Força média e ACR alta
6) Força alta e ACR alta

Os participantes foram orientados para adotar um estilo de vida saudável, o que incluía bons hábitos alimentares e exercícios regularmente. Não foram considerados os tipos de exercícios realizados e suas características.

No período de observação ocorreram 183 mortes e foram realizadas as análises estatísticas pertinentes. Uma importante conclusão do presente trabalho é que a força muscular é um importante indicativo para a proteção contra mortes por todas as causas em homens hipertensos, independente da ACR, tal como outros trabalhos mostraram para outras populações:

1) Pessoas com força muscular alta e ACR alta apresentaram risco de morte 51%
menor quando comparadas com o grupo de referência.
2) Pessoas com força muscular alta e ACR baixa apresentaram risco de morte 48%
menor quando comparadas ao grupo de referência.
3) Pessoas com ACR alta e força muscular baixa apresentam risco de morte 37%
menor quando comparadas ao grupo de referência.

Esta conclusão é uma evidência a favor da hipótese de que os exercícios que aumentam a força muscular (os mais praticados são os exercícios resistidos) estimulam fatores promotores de saúde geral, incluindo a saúde cardiovascular, de forma mais eficiente do que os exercícios contínuos utilizados para melhorar a ACR. O mecanismo de ação mais provável é a atenuação mais eficiente do processo inflamatório basal do organismo sedentário.

Referências bibliográficas, tabelas e gráficos encontram-se no artigo original.

publicidade
publicidade