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EFEITOS DO TREINAMENTO RESISTIDO COM BAIXA INTENSIDADE E RESTRIÇÃO VASCULAR NA FORÇA MUSCULAR DA PERNA EM HOMENS IDOSOS

Jeffrey S. Greiwe, Bo Cheng, Deborah C. Rubin, Kevin E. Yarasheski e Clay F. Semenkovich

Eur J Appl Physiol (2010) 108:147–155

Comentários – Prof. Dr. José Maria Santarem


Os autores iniciam com comentários sobre as possíveis razões da perda de força muscular durante o envelhecimento: redução do volume das fibras; redução no número de fibras; diminuição da capacidade de recrutamento de fibras; e diminuição da freqüência de disparo de unidades motoras. Por outro lado, comentam que o documentado aumento de força muscular em idosos em resposta ao treinamento resistido se deve à melhora na capacidade de recrutamento de unidades motoras, melhor sincronização de unidades motoras e reinervação de fibras musculares denervadas.

O volume de treino (carga x número de repetições totais da sessão por grupo muscular) tem sido positivamente relacionado com os resultados hipertróficos do treinamento e ganhos de força muscular. O esquema de 6 a 12 repetições com carga entre 65 e 80% de 1RM tem produzido os melhores resultados.

Trabalhos que documentam boa resposta ao treinamento resistido com baixa carga e restrição vascular são lembrados. Os autores comentam que estudar a resposta de pessoas idosas ao treinamento resistido com carga em torno de 20% de 1RM e oclusão vascular é relevante porque os resultados positivos poderiam ser úteis para as pessoas que tivessem contra-indicação para maiores cargas. Em tese concordamos com essa afirmação, mas com a ressalva de que essa situação de contra-indicação é muito pouco freqüente e uma das qualidades do treinamento resistido tradicional é o alto grau de segurança. A abordagem convencional do treinamento resistido exige apenas a adaptação das cargas, das amplitudes e do grau de esforço para que possa ser utilizado por pessoas com as mais diversas limitações de saúde.

A restrição vascular tem sido utilizada em associação com exercícios de baixa carga para o objetivo de aumento da força muscular. Em geral, os resultados mostram efeitos apenas um pouco inferiores ao treinamento convencional. A explicação parece estar relacionada com as alterações metabólicas promovidas pela oclusão vascular, associadas ao estímulo das contrações musculares. Vale lembrar que no treinamento resistido convencional, cargas acima de 60% praticamente interrompem a circulação arterial intramuscular. Assim sendo, o dismetabolismo isquêmico faz parte dos eventos do treinamento convencional.

Risco de necrose muscular, trombose e lesão endotelial existem na oclusão vascular total, mas esses eventos não têm sido documentados na oclusão vascular
parcial, referida como restrição vascular. Avaliações laboratoriais no treinamento com baixas cargas e restrição vascular não têm indicado alterações patológicas preocupantes, em pessoas jovens e saudáveis.

O objetivo deste trabalho foi comparar a eficiência para o aumento da força muscular de um programa tradicional de treinamento resistido com 80% de 1RM com um programa com 20% de 1RM associado à restrição vascular.
Após observar os critérios de inclusão e de exclusão, 37 homens com idade entre 50 e 64 anos foram incluídos no trabalho. Observação importante quanto ao título deste trabalho é que se faz referência indevida a homens idosos, que nos países desenvolvidos têm 65 anos ou mais.

O treinamento ocorreu três vezes por semana durante seis semanas e todos os participantes realizaram os exercícios de puxada alta, press de ombros e rosca de bíceps no esquema de 3 séries de 8 repetições com 80% de 1RM, que for recalculada a cada duas semanas. Os outros exercícios foram o leg press e a extensão de joelhos, e a maneira de realização definiu os grupos estudados: um deles realizou esses exercícios em 3 séries de 8 repetições com 80% de 1RM; o outro, em 1 série de 30 repetições e 2 séries de 15 repetições com 20% de 1RM e restrição vascular. A restrição vascular ocorreu com manguitos de pressão nas raízes das coxas durante as três séries realizadas. O tempo total de restrição foi menor do que 10 minutos e a pressão média nos manguitos foi de 205 mmHg.

Os resultados mostraram que a força muscular aumentou mais no grupo treinado com 80% de 1RM do que no grupo com 20% de 1RM e restrição vascular, mas com diferença significante em apenas um dos exercícios (extensão de joelhos, 31,2% e
19,1%, respectivamente).
Os autores concluem que esses resultados encorajam a utilização da proposta de treinamento com baixas cargas, baixos volumes e restrição vascular, principalmente em pessoas idosas com restrição para cargas maiores.

Nossa interpretação é que não há justificativa para preferir o treinamento com baixas cargas e restrição vascular em relação ao treinamento convencional. As situações de risco para cargas maiores são quase inexistentes, considerando que o grau de esforço e outras variáveis de segurança são fatores que podem ser controlados com facilidade. Por outro lado, a segurança da restrição vascular somente foi documentada em pessoas sem doenças vasculares ou hematológicas, situações relativamente freqüentes principalmente após os 65 anos de idade.

Referências bibliográficas, tabelas e gráficos encontram-se no artigo original.

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