Musculação, Artigos Científicos, Cursos, Eventos e Video-aulas
PESQUISAR:

  PROCURAR

Artigo comentadoArtigo original

Untitled Document

O PAPEL DA INTERLEUCINA 6 NA MEDIAÇÃO DOS EFEITOS ANTI-INFLAMATÓRIOS DOS EXERCÍCIOS.
A.M.W. PETERSEN, B.K. PEDERSEN


The Centre of Inflammation and Metabolism, Department of Infectious Diseases and CMRC, Copenhagen University Hospital, Rigshospitalet, University of Copenhagen,
Faculty of Health Sciences, Denmark

COMENTÁRIOS – Prof. Dr. José Maria Santarem

Os autores iniciam a introdução com duas afirmações que atualmente podem ser feitas com base nas evidências disponíveis:

1) “A atividade física habitual está associada com menores riscos de mortalidade por todas as causas, independentemente da composição corporal”; e 2) “A inatividade física é um preditor de mortalidade por todas as causas mais forte do que fatores de risco como hipertensão, dislipidemia, diabetes e obesidade”.

Embora todos os estímulos promotores de saúde tenham importância, a atividade física habitual parece ser o mais importante. A aterosclerose é o processo degenerativo primário que compromete a integridade das artérias e leva á ocorrência de disfunções de diversos órgãos, tromboses e embolias. Por esses mecanismos, a aterosclerose predispõe ao infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico, gangrenas periféricas, insuficiência cardíaca e arritmias.

Os autores comentam que a inflamação de baixo grau é um processo patológico que tem sido implicado na origem da aterosclerose e também na da resistência à insulina, levando ao diabetes tipo 2. Marcadores desse processo inflamatório sistêmico são o aumento no sangue se substâncias como algumas citocinas e a Proteína C Reativa (PCR). O exercício crônico produz redução da PCR, sugerindo diminuição do processo inflamatório sistêmico de baixo grau. Também é comentado que os músculos esqueléticos produzem alguns tipos de citocinas que combatem a inflamação (miocinas). O Fator de Necrose Tumoral ? (TNF ? ) é o modelo de citocina pró-inflamação crônica, que predomina nas pessoas sedetárias e é produzido principalmente pelo tecido adiposo. A Interleucina 6 (IL6) é a principal miocina produzida pelo músculo esquelético em atividade, tem efeito lipolítico e pró-inflamatório agudo. A IL-6 aumenta no exercício, sinalizando a inflamação aguda, mas leva ao aumento de outras interleucinas como a IL-1ra e a IL- 10 que apresentam efeito anti-inflamatório crônico. O exercício suave aumenta a IL6, mas a sua produção é diretamente proporcional à intensidade, à duração e à massa muscular envolvida.

A conclusão desta revisão é que os músculos esqueléticos funcionam como órgãos endócrinos, produzindo substâncias que no pós-exercício diminuem o estado inflamatório basal do organismo. Dessa maneira a atividade muscular parece diminuir a probabilidade de desenvolvimento de doença cardiovascular, diabetes tipo 2, câncer do colon e câncer das mamas.

publicidade
publicidade