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O treinamento de potência é melhor do que o treinamento resistido convencional para a funcionalidade em pessoas idosas? Uma metanálise.

MARIELLE TSCHOPP, MARTIN KARL SATTELMAYER, ROGER HILFIKER

Age and Ageing 2011; 40: 549–556 / doi: 10.1093/ageing/afr005 / 7 March 2011

COMENTÁRIOS – Prof. Dr. José Maria Santarem

         Este é um trabalho de revisão de 11 estudos experimentais controlados e randomizados publicados até abril de 2.010 que compararam os efeitos e a segurança do treinamento resistido com velocidade alta de movimentos com o treinamento resistido convencional em relação a capacidade de melhorar a funcionalidade de pessoas idosas.
Na introdução do trabalho os autores esclarecem que manter a independência nas atividades da vida diária é um importante objetivo para pessoas idosas, e que isso depende basicamente de força e potência (força aplicada com velocidade). Esclarecem ainda que a potência declina mais e mais rápido do que a força no envelhecimento e que a primeira tem uma relação mais forte com a funcionalidade do que a segunda. Outro esclarecimento é que a potência é melhor estimulada com movimentos rápidos e menores cargas do que com movimentos lentos com cargas maiores. Assim sendo, os autores acharam relevante avaliar os trabalhos que estudaram o assunto.
Uma observação inicial que podemos fazer é que o treinamento de força clássico, com pesos maiores e velocidade baixa de movimento consegue aumentar a potência de forma importante, sendo a força o principal componente da fórmula da potência. Por esta razão o treinamento de potência para esportistas não prescinde do treinamento de força clássico: períodos com movimentos lentos e pesados precedem períodos com movimentos rápidos e pesos menores. Por outro lado, os profissionais que vivenciam o treinamento com pesos para pessoas idosas sabem que na vigência de processos patológicos articulares os movimentos explosivos são inadequados por produzirem ou agravarem dores. Diante desse quadro, estudar os efeitos do treinamento explosivo (TE) em idosos em lugar do treinamento resistido clássico (TC) parece pouco relevante. Mesmo que se demonstre alguma superioridade não haverá possibilidade de aplicações para a maioria das pessoas idosas.
Os resultados combinados dos diferentes trabalhos encontrados mostraram:

  1. Em sete trabalhos, mínima diferença favorável ao TE nos testes funcionais como levantar de cadeira, subir em caixas e baterias de testes padronizados. As diferenças foram consideradas clinicamente não-relevantes.
  2. Em dois trabalhos, mínima diferença favorável ao TE na auto-avaliação de funcionalidade. As diferenças foram consideradas clinicamente não-relevantes.
  3. Em três trabalhos, mínima diferença favorável ao TE em testes de equilíbrio. As diferenças foram consideradas clinicamente não-relevantes.
  4. Em três trabalhos, mínima diferença favorável ao TC na velocidade da marcha. As diferenças foram consideradas clinicamente não-relevantes.
  5. Em sete trabalhos, mínima diferença favorável ao TE em testes de força. As diferenças foram consideradas clinicamente não-relevantes.
  6. Em dois trabalhos, mínima diferença favorável ao TE em testes de potência. As diferenças foram consideradas clinicamente não-relevantes.
  7. Em dois trabalhos, mínima diferença favorável ao TE na avaliação de massa muscular. As diferenças foram consideradas clinicamente não-relevantes.
  8. Na avaliação de efeitos indesejáveis, as ocorrências possivelmente relacionadas com os exercícios aconteceram nos dois grupos.

Na discussão do presente trabalho os autores esclarecem que:

  1. As diferenças estatísticas encontradas são tão pequenas que não permitem estabelecer superioridade de um grupo em relação ao outro.
  2. Os idosos estudados estavam em boa forma física e portanto nada pode ser assegurado com relação à segurança do treinamento em pessoas debilitadas e com doenças crônicas.
  3. Em apenas três trabalhos os avaliadores eram “cegos” ou seja, desconheciam o grupo a que pertenciam os idosos, dessa forma favorecendo eventuais erros de avaliação em favor de um dos grupos.
  4. Em nenhum dos trabalhos as diferenças encontradas nos resultados foram equalizadas em função das diferenças existentes nos valores pré-treinamento, o que constitui um fotor de erro nas interpretações.

A conclusão dos autores é que o presente trabalho não permite afirmar a superioridade de uma forma de treinamento sobre a outra, e que nada pode ser concluído sobre a segurança para pessoas que não estejam em boa forma física.

Referências bibliográficas, tabelas e gráficos encontram-se no artigo original.

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