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Resistance training in musculoskeletal rehabilitation:
a systematic review

Jakob Kristensen, Andy Franklyn-Miller

Br J Sports Med 2012;46:719–726. doi:10.1136/bjsports79376 719

Comentários – Prof. Dr. José Maria Santarem

 Os autores iniciam este trabalho comentando que as adaptações induzidas pelo treinamento resistido (TR) em populações saudáveis estão bem estabelecidas na literatura científica e isso tem levado á sua utilização em pessoas com doenças, lesões e debilidades. A finalidade desta revisão foi verificar se os trabalhos publicados sobre esse procedimento comprovaram a sua conveniência.


Não apenas trabalhos experimentais controlados e randomizados (42) foram considerados, mas também trabalhos observacionais (9). Um cuidado importante utilizado foi a exclusão de trabalhos que adotaram a terminologia “treinamento resistido”, mas que utilizaram exercícios apenas com o peso corporal. As condições de base estudadas nos trabalhos considerados foram dor lombar por discopatia, tendinopatias, artrose de joelho e pós-operatório de lesão o ligamento cruzado anterior (LCA) e de artroplastia total de quadril (ATQ). O TR foi estudado nos diversos trabalhos em comparação com técnicas habituais de exercícios terapêuticos em fisioterapia e exercícios aeróbicos.

LOMBALGIA DISCAL
Uma consideração inicial foi que a fraqueza dos extensores da coluna foi apontada como um fator importante no aparecimento de dor lombar de natureza discal e que tanto pessoas sedentárias como esportistas podem apresentar essa condição dolorosa. Os resultados dos trabalhos considerados mostraram aumento da força dos extensores da coluna lombar e diminuição importante de dores, em graus superiores aos produzidos pelos métodos mais habituais de exercícios terapêuticos.
A maioria dos trabalhos sugere que a utilização de mais do que uma série pesada por grupo muscular é superior à apenas uma série, tal como as revisões sugerem que ocorra com a população saudável. Com relação à intensidade, o conjunto dos resultados sugere que cargas acima de 70% da carga máxima sejam mais eficientes para o fortalecimento muscular, redução de dores e melhora na qualidade de vida.

TENDINOPATIAS CRÔNICAS
Os autores comentam a alta ocorrência de tendinopatias dolorosas em joelhos e tornozelos de corredores e em atividades com grande utilização de saltos. Os resultados dos trabalhos demonstram grande eficiência do TR em produzir alivio imediato e duradouro das dores em tendinopatia do tendão de Aquiles, comparativamente a outras intervenções, principalmente quando as contrações excêntricas são enfatizadas.
As contrações excêntricas constituem a mais eficiente forma de alongamento do tecido conjuntivo dos músculos, contribuindo para o aumento da elasticidade muscular que acompanha a hipertrofia. Kongsgaard e colaboradores demonstraram em 2.010 que o TR tradicional de alta intensidade com contrações concêntricas e excêntricas mais lentas promove a diminuição do edema nas tendinites patelares, aumento de vascularização e aumento do turn-over do colágeno, com hipertrofia do tendão e diminuição rápida e duradoura das dores. Esses efeitos são superiores aos obtidos com contrações excêntricas sem concêntricas e aos produzidos por TR de baixa intensidade.

ARTROSE DE JOELHO
A dor e a diminuição de função que ocorrem na artrose de joelhos estão diretamente correlacionadas com a diminuição de força do quadríceps. Os trabalhos considerados mostraram que o TR tradicional é eficiente para o controle sintomático e para a melhora funcional, mesmo em artroses avançadas.
Embora considerados menos eficientes para objetivos gerais de treinamento, os exercícios isométricos, os isocinéticos e as contrações concêntricas isoladas também produziram bons resultados na dor e na função em pessoas com artrose de joelhos.
Os melhores resultados do TR em artrose de joelhos foram obtidos com treinamento isotônico convencional, com contrações concêntricas e excêntricas, e com intensidades acima de 70% da carga máxima. Embora alguns autores tenham utilizado intensidades em torno de 60% da carga máxima por receio de prejuízos à cartilagem dos joelhos, evidências sugerem que os efeitos sejam benéficos e não prejudiciais.

RECONSTRUÇÃO DE LCA
Os autores esclarecem que a perda de força do quadríceps e a diminuição da mobilidade do joelho são comuns no pós-operatório se não houver adequada intervenção com exercícios.
No pós-operatório recente o TR tem sido utilizado com intensidades baixas e apresentado bons resultados, mas não superiores aos obtidos com exercícios habitualmente utilizados como exercícios proprioceptivos, treinamento neuromuscular, exercícios em degraus ou com bicicleta ergométrica. No entanto, a frequente ocorrência de hipotrofia e dinapenia (perda de força) vários meses após a intervenção cirúrgica sugere que o TR de alta intensidade deva ser utilizado após as fases iniciais da reabilitação.

ARTROPLASTIA TOTAL DE QUADRIL
Com a utilização dos exercícios tradicionais da reabilitação, muitos pacientes não conseguem recuperar a força e a mobilidade em níveis adequados após a operação cirúrgica, o que levou à hipótese de que o TR poderia ser utilizado com melhores resultados.
Os trabalhos considerados mostraram que o TR iniciado no pós-operatório imediato, com baixas intensidades, diminui o tempo de internação quando comparado com métodos tradicionais de reabilitação. Por ocasião da alta hospitalar o TR tem sido utilizado com intensidades em torno de 65% da carga máxima, evoluindo rapidamente para cerca de 80% de 1 RM (carga máxima para uma repetição).
Em relação aos exercícios convencionais de reabilitação e à estimulação elétrica, o TR mostrou melhores resultados em força e hipertrofia musculares, mobilidade articular (flexibilidade) e potência muscular. Os resultados também foram melhores em testes funcionais como subir escadas e velocidade da marcha. O aumento da potência muscular induzida pelo TR tradicional tem grande importância nos pacientes mais idosos por diminuir o risco de quedas. 

CONCLUSÕES
O TR tem sido utilizado com vantagens sobre outras formas de exercícios em várias condições patológicas do aparelho locomotor, principalmente nas caracterizadas por perda de força e de função, mesmo em pessoas idosas.
A proposta de utilizar intensidades baixas devido ao receio de lesões não tem sido comprovada. Intensidades em torno de 70% de carga máxima parecem produzir os melhores resultados com segurança em todas as faixas etárias e são mais eficientes para reduzir a dor.
Os exercícios utilizados na maioria dos trabalhos selecionados são exercícios tradicionais do TR como leg press, extensão de joelhos e flexão de joelhos, com amplitudes geralmente parciais, adaptadas para a segurança e o conforto.

         Referências bibliográficas, tabelas e gráficos encontram-se no artigo original.

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