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Aumento de Força pelo Treinamento Resistido em Pacientes com Esclerose Múltipla Apesar de Diferentes Níveis de Disfunção.

Mary L. Filipia, Daryl L. Kucerac, Eric O. Filipid, Alanson C. Ridpathe and M. Patricia Leuschenf

NeuroRehabilitation 28 (2011) 373–382 373
DOI 10.3233/NRE-2011-0666 IOS Press

COMENTÁRIOS – Prof. Dr. José Maria Santarem

Os autores comentam que embora a atividade física seja reconhecida com importante estímulo para a saúde e qualidade de vida, na medida em que as pessoas envelhecem e se tornam debilitadas, muitos profissionais mudam as recomendações para exercícios muito suaves como os alongamentos. Essa conduta não é adequada porque nos muito idosos (pessoas com 80 anos ou mais) o enfraquecimento muscular pode chegar a níveis críticos, comprometendo a independência funcional com grande impacto negativo na qualidade de vida.

No caso da Esclerose Múltipla (EM) a fraqueza e a fadiga são sintomas importantes e a recomendação clássica era a de evitar exercícios devido ao receio de provocar a fadiga e assim piorar a qualidade de vida. No entanto, algumas evidências demonstraram que o fortalecimento muscular com treinamento resistido (TR) produzia melhora na capacidade para realizar os esforços da vida diária, melhorando a qualidade de vida. Os músculos esqueléticos das pessoas com EM são normais do ponto de vista anatômico e funcional. Atualmente as evidências sugerem que os exercícios físicos não produzem apenas efeitos sintomáticos na EM. A importância dos exercícios tem sido equiparada ao tratamento medicamentoso devido aos efeitos imunológicos, anti-inflamatórios e endócrinos. Entre os benefícios documentados dos exercícios resistidos na EM, além do aumento da força e diminuição da fadiga, estão a melhora do equilíbrio e a diminuição do receio de quedas, menor dor muscular induzida pelas atividades diárias e redução dos sintomas depressivos.
Este trabalho teve o objetivo de avaliar os efeitos do TR em pessoas com EM e diferentes graus de disfunção. Os participantes foram divididos em três grupos:

A) Capazes de caminhar sem ajuda de equipamento.
B) Capazes de caminhar com ajuda de bengalas.
C) Incapazes de caminhar, em uso de cadeira de rodas.

O treinamento foi realizado em 67 pacientes com idades entre 24 e 75 anos, 18 homens e 49 mulheres, durante seis meses, com duas sessões semanais de exercícios resistidos. As sessões de exercícios resistidos tiveram a duração de trinta minutos, iniciando e terminando com exercícios de alongamento. Foram utilizados os exercícios habituais do treinamento com pesos, com máquinas e pesos livres, bilaterais e unilaterais. Em cada exercício foram realizadas três séries com cerca de 10 repetições, com breves intervalos de descanso e cargas definidas por experimentação. Avaliações de força (carga máxima) e de resistência (repetições máximas em período de tempo com cargas baixas) em diferentes grupos musculares foram realizadas antes, após 3 meses e após 6 meses de exercícios. Também foram tabulados dados como idade, sexo, tempo de diagnóstico, tipo de imunoterapia quando utilizada e número de surtos antes e durante o programa de exercícios.

Como esperado os níveis iniciais e finais de força e de resistência foram mais baixos nos grupos com maior comprometimento funcional. No entanto, os participantes de todos os grupos apresentaram evolução importante e percentualmente semelhante em força e resistência. Os surtos não foram mais frequentes durante o período de treinamento e apresentaram recuperação mais rápida. Como conclusões os autores destacam que o TR na EM:

  1. Induz melhora importante em força e resistência musculares em todos os graus de comprometimento funcional, contribuindo para melhorar a qualidade de vida.
  2. Os exercícios parecem contribuir para a melhor e mais rápida recuperação dos surtos de atividade da doença.
  3. Os pacientes referiram importantes benefícios nos aspectos psicossociais, na sensação de fadiga e nos sintomas depressivos.
  4. Embora necessitando de outros estudos para melhor esclarecer o tema, o TR deve ser considerado como importante intervenção para os pacientes com EM.


Referências bibliográficas, tabelas e gráficos encontram-se no artigo original.

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