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Efeitos dos exercícios resistidos no desempenho cognitivo de idosos com comprometimento da memória: resultados de um estudo controlado.

Alexandre Leopold Busse1, Wilson Jacob Filho, Regina Miskian Magaldi, Venceslau Antônio Coelho, Antônio César Melo, Rosana Aparecida Betoni, José Maria Santarém.

Einstein. 6(4):402-7, 2008. 

COMENTÁRIOS – Prof. Dr. José Maria Santarem

Em todo o mundo o número de idosos está aumentando na população e a prevalência de demência também. A demência pode ser definida com uma situação de redução da memória de fixação e evocada, associada ao comprometimento de pelo menos um outro domínio cognitivo (linguagem, planejamento motor e resolução de problemas). Exercícios aeróbicos e resistidos têm sido identificados como eficientes em melhorar funções cognitivas em idosos e diminuir a ocorrência de demência.

Este trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos dos exercícios resistidos sobre a cognição em idosos com redução de memória. Esse tipo de exercício é cada vez mais utilizado em pessoas idosas devido às suas qualidades. A evolução da força muscular também foi estudada, devido a sua importância para a qualidade de vida no aspecto da funcionalidade.
No Ambulatório de Memória do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, um grupo de trinta e uma pessoas com 60 anos ou mais, oito homens e vinte e três mulheres, com comprometimento da memória mas sem demência ou depressão, foram selecionados e divididos em dois grupos: exercitado e controle. Os pacientes selecionados foram avaliados no início do período de estudo e a cada três meses até o total de nove meses.

O critério de inclusão no trabalho foi redução da memória relata pelo paciente ou acompanhante e confirmada por testes específicos. Os pacientes não podiam ter depressão, ansiedade ou demência identificadas em testes específicos e as funções básicas e instrumentais da vida diária deviam estar preservadas. Também impediam a participação as doenças sistêmicas descompensadas, o alcoolismo, o uso de medicamentos potencialmente comprometedores da memória, trauma recente na cabeça e acidente vascular cerebral no último ano.

O grupo exercitado realizou durante nove meses treinamento resistido com seis exercícios, três séries por exercício, duas sessões semanais no CECAFI – Centro de Estudos em Ciências da Atividade Física da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Os exercícios foram Press peitoral, Remada, Leg press, Extensões lombares, Flexões plantares e Flexões abdominais. O equipamento foi Biodelta, com alavancas e pesos livres. As três séries de cada exercício foram realizadas com cargas progressivas para aquecimento e as repetições ficaram na faixa de oito à doze, com um a dois minutos de descanso entre séries. O grau de esforço foi submáximo, sem apnéia importante e sem tendência para a isometria. O grupo controle não realizou exercícios.

Nas avaliações ficou evidenciada no grupo treinado melhora estatisticamente significante nos resultados antes e depois do período de treinamento no teste RMBT (Rivermead Behabioral Memory Test), que avalia a cognição em tarefas práticas relacionadas com a vida diária. Esse teste tem como qualidade ser pouco influenciado por fatores culturais.
A força muscular foi avaliada pela progressão das cargas de treinamento nas séries pesadas (terceira de cada exercício), considerando como cargas iniciais as utilizadas após o primeiro mês de treinamento (período de adaptação) comparativamente com as cargas utilizadas no final dos nove meses de estudo. A evolução das cargas indica aumento de força em 178% na média dos seis exercícios.

Uma das hipóteses para a melhora da cognição estimulada por exercícios, aeróbicos ou resistidos, é a interação social entre participantes. No entanto, um trabalho semelhante a este (Lachman et al: The effects of strength training on memory in older adults. J Aging Phys Act. 2006;14(1):59-73) demonstrou que a melhora da cognição estimulada por exercícios resistidos é maior nos indivíduos que evoluem mais as cargas de treinamento, sugerindo um efeito fisiológico orgânico. Por outro lado, pode ser que o aumento de carga seja apenas uma variável associada, visto que as pessoas que aumentam mais as cargas são também as pessoas mais motivadas e portanto, mais integradas socialmente. As razões para os efeitos benéficos dos exercícios físicos na cognição permanecem obscuras.

Este trabalho demonstra efeitos do treinamento resistido na melhora da cognição em homens e mulheres idosos com comprometimento da memória e no aumento da força muscular.

Referências bibliográficas, tabelas e gráficos encontram-se no artigo original.

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