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A fisiologia do exercício e as profissões

Informativo 26

* Dr. José Maria Santarem

A fisiologia do exercício é uma área do conhecimento e como tal nenhuma categoria profissional pode dela se apoderar. Os conhecimentos nessa área são de grande importância para a boa atuação de vários profissionais: médicos, fisioterapeutas, educadores físicos, nutricionistas, entre outros. A disciplina Fisiologia do Exercício faz parte do currículo de vários cursos de graduação e de pós-graduação nas áreas profissionais citadas.

Cursos de especialização em Fisiologia do Exercício podem ser destinados a diversas categorias profissionais, a critério da instituição de ensino promotora. No entanto, um aspecto importante deve ser esclarecido: diplomas de cursos de pós-graduação lato sensu (especialização) atestam a aquisição de conhecimentos, mas não mudam as áreas de atuação das pessoas, que são definidas pela graduação realizada e fiscalizadas pelos conselhos profissionais.

Uma recente resolução do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), número 262/2013, está sendo mal interpretada. A resolução esclarece em seu artigo 2º que para efeito de fiscalização do exercício profissional, apenas os educadores físicos serão reconhecidos como especialistas em fisiologia do exercício e do esporte pelo sistema CONFEF/CREFs. Essa resolução tem o mérito de evitar distorções no mercado de trabalho, visto que profissionais de diversas formações poderiam se apoiar em um título de especialista em fisiologia do exercício e passar a desempenhar funções que são reconhecidamente da competência exclusiva do educador físico. Essa resolução não impede que profissionais não educadores físicos realizem cursos de especialização em fisiologia do exercício e apliquem os conhecimentos adquiridos em suas respectivas áreas de graduação.

Exemplificando, o Curso de Especialização em Fisiologia do Exercício e Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento, que tem foco na musculação aplicada na profilaxia e tratamento de doenças e disfunções, existe há 18 anos e já formou cerca de 5.000 profissionais entre educadores físicos, fisioterapeutas, médicos e outros.

Os educadores físicos aprendem a prescrever treinamento resistido adaptado para a presença de doenças e debilidades; os fisioterapeutas aprendem a utilizar a musculação como importante recurso terapêutico e de reabilitação; os médicos aprendem a indicar corretamente a musculação nas diversas situações de saúde; outros profissionais aprendem a considerar a musculação no desempenho de suas atividades. Atualmente o curso é oferecido pela Escola de Educação Permanente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Na sua forma presencial o curso tem o reconhecimento do Conselho Estadual de Educação (CEE), que para as instituições de ensino oficiais do Estado substitui o reconhecimento do MEC, ou seja, conferem ao diploma valor acadêmico. O CEE aprovou esse curso para ser oferecido para profissionais de diversas áreas da saúde. No formato à distância o curso não tem reconhecimento acadêmico porque o CEE ainda não regulamentou cursos à distância. Deve ser esclarecido que cursos de especialização podem ocorrer sem reconhecimento do CEE ou do MEC. Nesses casos os diplomas atestarão transmissão de conhecimentos, portanto com valor profissional, mas não contarão pontos em prova de títulos (valor acadêmico).

* José Maria Santarem (CRM-SP 25.651) é doutor em medicina pela Universidade de São Paulo, fisiatra e reumatologista pela Associação Médica Brasileira, consultor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, diretor do Instituto Biodelta e coordenador do site acadêmico www.treinamentoresistido.com.br.

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