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Atualização em Exercícios Resistidos:
velocidade, potência e resistência aeróbia

Artigo publicado originalmente em novembro de 1998


Dr. José Maria Santarem *

Dando continuidade à análise de como os exercícios resistidos afetam as diversas qualidades de aptidão física, abordaremos a velocidade, a potência e a resistência aeróbia.

VELOCIDADE - A velocidade de contração dos músculos esqueléticos é uma característica com grande dependência genética. Maiores velocidades de contração são esperadas em pessoas que apresentam predominância de fibras brancas. O treinamento com exercícios resistidos não altera a velocidade da contração muscular quando não existe resistência aos movimentos. Por outro lado, o grande aumento da capacidade contrátil dos músculos induzido pelos exercícios resistidos pode aumentar significativamente a velocidade dos movimentos com resistência oposta. Assim sendo, o treinamento com pesos aumenta a capacidade de aceleração, com conseqüente aprimoramento do desempenho em provas de "velocidade", que na realidade são provas de potência.

POTÊNCIA - Assim como no caso da força e da resistência anaeróbia, o aprimoramento da potência é uma das características marcantes dos atletas treinados com pesos. A potência depende basicamente da velocidade, da força, e da resistência, envolvendo portanto aspectos neuromusculares, contráteis e metabólicos. Considerando que a velocidade dos movimentos sem carga sofre pouca influência dos exercícios, o treinamento com pesos para potência deve objetivar o aumento da capacidade contrátil e metabólica dos músculos, sendo geralmente usadas séries com cerca de dez repetições. No caso da potência instantânea ou explosiva, o aspecto da resistência é desconsiderado e o treinamento costuma enfatizar apenas a capacidade contrátil, com repetições entre cinco e dez. Preconiza-se que as maiores capacidades contrátil e metabólica adquiridas por meio dos exercícios resistidos sejam adaptadas para as necessidades específicas das diversas modalidades esportivas com a prática da própria atividade. Alguns treinadores preconizam no treinamento com pesos para potência a utilização de movimentos mais rápidos do que o habitualmente utilizado em treinamento para hipertrofia, mas os trabalhos disponíveis até o momento não permitem afirmar que esta proposta seja a mais eficiente. Por outro lado, movimentos explosivos com pesos são potencialmente mais lesivos para o aparelho locomotor.

RESISTÊNCIA AERÓBIA - Durante muito tempo se considerou que esta qualidade de aptidão não fosse aprimorada pelos exercícios resistidos, devido à constatação de que o VO2 máximo não aumenta com esse tipo de treinamento. No entanto, verificou-se que corredores e ciclistas apresentaram melhora no desempenho em provas de fundo da ordem de 11 à 13 %, apenas com a inclusão do treinamento com pesos. Tais resultados foram atribuídos aos aumentos nos níveis do limiar anaeróbio. Duas hipóteses tentam explicar o aumento do limiar anaeróbio que acompanha a hipertrofia muscular. Uma delas preconiza que atletas mais fortes poderiam realizar determinadas intensidades de esforço apenas com fibras vermelhas, enquanto que atletas mais fracos utilizariam fibras vermelhas e brancas, produzindo lactato. A outra hipótese considera que em determinadas intensidades de esforço atletas mais fortes utilizariam menos do que 40 % da sua capacidade contrátil, enquanto que atletas mais fracos utilizariam maior número de fibras, ocluindo parcialmente a circulação e dificultando o metabolismo aeróbio exclusivo.

 * José Maria Santarem (CRM-SP 25.651) é doutor em medicina pela Universidade de São Paulo, fisiatra e reumatologista pela Associação Médica Brasileira, consultor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, diretor do Instituto Biodelta e coordenador do site acadêmico www.treinamentoresistido.com.br.

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