Musculação, Artigos Científicos, Cursos, Eventos e Video-aulas
PESQUISAR:

  PROCURAR


Atualização em Exercícios Resistidos:
Destreza e Flexibilidade

Artigo publicado originalmente em novembro de 1998


Dr. José Maria Santarem *

Paralelamente a hipertrofia muscular, os exercícios resistidos promovem estímulos para várias qualidades de aptidão física. No que diz respeito à destreza, como toda atividade regularmente repetida, os exercícios resistidos desenvolvem coordenação neuro-muscular específica. Um importante aspecto de coordenação desenvolvido pelos exercícios com pesos é a consciência corporal. Os exercícios localizados, com movimentos relativamente lentos, são provavelmente os ideais para promover estímulo dos proprioceptores capsulares, nos diferentes graus de amplitude das articulações. Assim sendo, observa-se que o praticante desenvolve a capacidade de perceber a posição exata de seu próprio corpo no espaço, habilidade importante para a manutenção do equilíbrio do corpo.

Com relação à flexibilidade, a maioria dos estudos realizados sobre os efeitos dos exercícios resistidos demonstraram aumento ou manutenção deste parâmetro de aptidão. A grande proliferação de tecido conjuntivo que acompanha a hipertrofia, mesmo quando obtida com exercícios parciais, aumenta a elasticidade do músculo esquelético. Encurtamento e hipertonia musculares não ocorrem com a hipertrofia induzida por exercícios. Assim sendo, efeitos benéficos em distúrbios posturais somente podem ser explicados pelo alongamento muscular que acompanha a hipertrofia, e não por efeitos de tração constante. Da mesma forma, efeitos de alinhamento e de estabilização articulares somente podem ser explicados por maior eficiência das forças geradas durante a contração muscular. Alguns estudos transversais que demonstraram pouca flexibilidade em alguns levantadores de peso basistas levantam como possíveis causas a seleção de biotipo mais adaptado para as provas, e talvez algum obstáculo mecânico produzido por grande hipertrofia muscular. Esta última hipótese no entanto não encontra respaldo em estudos com atletas de musculação competitiva e levantadores de peso olímpicos, todos com grandes volumes musculares, e com flexibilidade acima da média. A flexibilidade dos levantadores olímpicos, frente à outros atletas, somente é inferior à de ginastas. Estudos longitudinais bem conduzidos não demonstraram redução da flexibilidade durante o treinamento com pesos. Por outro lado, numerosos estudos documentam aumento de flexibilidade induzido pelos exercícios com pesos, na ausência de exercícios específicos para esta finalidade. Os exercícios com pesos forçam os limites das amplitudes das articulações, o que em conjunto com a proliferação de tecido conjuntivo, explica os efeitos estimulantes desses exercícios sobre a flexibilidade. Somente a inatividade, a imobilização, processos inflamatórios, processos neoplásicos, doenças espásticas, e descompasso entre o crescimento longitudinal dos ossos e o dos músculos podem produzir encurtamento muscular, absoluto ou relativo. Em nossa experiência, a maioria dessas condições podem ser adequadamente tratadas apenas com exercícios resistidos.

 * José Maria Santarem (CRM-SP 25.651) é doutor em medicina pela Universidade de São Paulo, fisiatra e reumatologista pela Associação Médica Brasileira, consultor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, diretor do Instituto Biodelta e coordenador do site acadêmico www.treinamentoresistido.com.br.

publicidade
publicidade