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Desistência na Musculação

Informativo 15

Dr. José Maria Santarem *

Embora a musculação seja uma das mais praticadas formas de exercício físico, muitas pessoas desistem da sua prática, seja com objetivos esportivos, estéticos ou terapêuticos.
Diversas razões têm sido identificadas como justificativas de desistência. Uma das mais freqüentes razões de desistência é a impaciência para aguardar resultados.

No caso de objetivos terapêuticos o fortalecimento muscular e a revitalização de tendões são as adaptações que permitirão melhorar a funcionalidade e controlar dores. Como todas as adaptações do organismo essas também ocorrem lentamente, com o passar dos meses, e a impaciência para aguardar resultados pode levar à desistência. A relutância em aumentar cargas de treino, geralmente por receio de piorar sintomas, contribui para a desistência porque nesse caso, mesmo com a passagem do tempo, as adaptações não ocorrerão da forma esperada. Ainda na área terapêutica, contribui para a desistência a ocorrência de dores desencadeadas pelos exercícios. Isso pode ocorrer e não significa que o exercício tenha sido mal orientado.

Exercício é sobrecarga e os limites de tolerância das pessoas com doenças crônicas articulares podem ser muito pequenos. Os profissionais bem formados sabem reduzir ao mínimo essa possibilidade e sabem fazer as adaptações necessárias quando ocorrerem dores durante ou após os exercícios. Na área esportiva, uma das razões mais freqüentes de desistência é a insatisfação com os resultados. A melhora de desempenho no esporte e a mudança na aparência física dependem em grande parte do aumento da força e da massa muscular. Considerando que essas adaptações são lentas, a impaciência pode levar à desistência.

Por outro lado, a maioria das pessoas não tem condições genéticas para grandes pretensões em musculação e a frustração com pequenos progressos também pode levar à
desistência. O treinamento excessivo, o estresse psicológico e a má alimentação são causas freqüentes de maus resultados em musculação e esses aspectos precisam sempre ser
considerados na orientação das pessoas. A monotonia do treino pode desestimular pessoas, pelo que se recomenda que a musculação não seja orientada de forma inflexível nos aspectos técnicos
dos programas. Contar repetições e séries, medindo intervalos de descanso, pode ser conduta muito inadequada do ponto de vista comportamental. O ideal é treinar de forma mais instintiva.

Outra possível causa de desistência é a ocorrência de lesões, que não são freqüentes na musculação. Para evitá-las, o treinamento não deve ter volumes ou intensidades excessivas e as
técnicas de execução dos exercícios devem ser adequadas.

* José Maria Santarem (CRM-SP 25.651) é doutor em medicina pela Universidade de São Paulo, fisiatra e reumatologista pela Associação Médica Brasileira, consultor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, diretor do Instituto Biodelta e coordenador do site acadêmico www.treinamentoresistido.com.br.

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