Como Escolher uma Academia ?

Dores articulares são frequentes nas pessoas sedentárias, por falta de vitalidade dos tecidos, mas também ocorrem em pessoas que praticam exercícios físicos, devido à sobrecargas. Nas duas situações, além de um diagnóstico e orientação médica, a pessoa precisará de professores que tenham conhecimento dos mecanismos das dores e saibam adaptar os exercícios para cada situação.

Profª. Dr. José Maria Santarem*

A escolha de uma academia depende de vários fatores: os seus objetivos físicos, a sua expectativa social, o seu grau de conhecimento sobre treinamento, a sua experiência com o seu próprio treinamento e a presença de problemas de saúde como dores articulares ou doenças em geral. Outros fatores a serem considerados é a sua preferência por tipos de exercícios e a sua disponibilidade financeira.

Para os objetivos de melhorar a forma do corpo, aumentando a massa muscular e reduzindo a gordura corporal, melhorar o condicionamento físico para esforços do dia a dia, caminhadas e trilhas, além de estimular a saúde geral incluindo a saúde cardiovascular, você não precisa nada além de aparelhos para musculação. Caso você tenha interesse em melhorar o seu condicionamento físico para atividades contínuas como correr e pedalar, ou ainda para jogos com bola em geral, aparelhos para exercícios aeróbicos serão importantes.

Se além de ser um local para a prática de exercícios físicos, você considera a academia um ponto para relacionamento social, você precisa considerar se os outros frequentadores pertencem a grupos do seu interesse e se existem espaços para conversar sem atrapalhar os exercícios das outras pessoas. Aspecto importante é que o relacionamento social que envolva conversas não deve ocorrer durante as sessões de exercícios para não atrapalhar também o seu próprio treinamento.

Caso você esteja seguro de que tem conhecimento adequado sobre treinamento, suficiente para sua própria orientação, além de experiência pessoal com a prática de exercícios, você precisará de professores apenas para tirar dúvidas. Nesse caso, o número de professores presentes no ginásio não será um fator importante para você. No entanto, para a maioria das pessoas que frequentam academias, a orientação dos professores é importante, assim como a atenção destes na supervisão dos seus exercícios.

Dores articulares são frequentes nas pessoas sedentárias, por falta de vitalidade dos tecidos, mas também ocorrem em pessoas que praticam exercícios físicos, devido à sobrecargas. Nas duas situações, além de um diagnóstico e orientação médica, a pessoa precisará de professores que tenham conhecimento dos mecanismos das dores e saibam adaptar os exercícios para cada situação. Dores articulares são mais comuns quando a pessoa começa a apresentar fragilidades devido ao processo de envelhecimento, que podem se manifestar já na faixa dos 30 anos. Exemplos são o enfraquecimento dos tendões e os desgastes dos discos intervertebrais, cartilagens articulares e meniscos.  Doenças como diabetes, obesidade, hipertensão arterial, arritmias, asma, bronquite, enfisema, osteoporose, neuropatias periféricas e doença de Parkinson são exemplos de situações em que o conhecimento dos professores é importante. A presença de situações patológicas não deve privar as pessoas de frequentar academias e realizar condicionamento físico, mas os profissionais de educação física devem estar preparados para adaptar os exercícios para essas situações. Quando o objetivo dos exercícios é tratar doenças a situação passa para o campo da fisioterapia, mas os profissionais dessa área também precisam de conhecimentos adequados sobre treinamento físico para melhor atender às necessidades das pessoas.

Com relação aos tipos de exercícios cabem algumas considerações:

1) Aparelhos para exercícios resistidos (musculação) estão presentes na maioria das academias e são suficientes para os objetivos da maioria das pessoas. São os mais eficientes para fortalecer músculos e ossos e para aumentar a massa muscular. São também muito eficientes para a redução da gordura corporal e para estimular a saúde em todos os seus aspectos. A mescla de aptidões que desenvolve é a mais adequada para os esforços da vida diária e do trabalho físico. A segurança é muito grande, tanto no sistema musculoesqueléticos quanto no aspecto cardiovascular.

2) Aparelhos para exercícios aeróbicos são comuns na maioria das academias devido ao conceito ainda vigente de que são importantes. Essa concepção está cada vez mais sendo questionada com bases em evidências. Comparados com a musculação produzem menores benefícios em aptidão física geral, sendo superiores apenas para melhorar a capacidade de prolongar esforços contínuos intensos como correr, pedalar e nadar. Muitas pessoas não conseguem fazer exercícios aeróbicos devido a dores articulares e as pessoas com cardiopatias precisam de vigilância constante devido á elevação mais acentuada da frequência cardíaca.

3) Propostas de exercícios como treinamento funcional e cross-fit podem ser motivadores para muitas pessoas, mas não são mais eficientes do que a  musculação e aeróbicos tradicionais. Muitas pessoas não suportam as sobrecargas de movimentos rápidos e com as articulações em posições vulneráveis.

4) O Pilates e a hidroginástica são menos eficiente do que a musculação e os aeróbicos tradicionais, mas os seus efeitos podem ser suficientes para as pessoas menos ambiciosas e cujas personalidades se adaptem melhor aos seus ambientes. Na presença de situações patológicas a segurança depende de profissionais que saibam graduar as sobrecargas dos alongamentos e das posições do corpo. As mesmas considerações podem ser feitas com relação à Yoga.

Vemos assim que diversos fatores influenciam na escolha de uma academia. Na visita inicial já será possível avaliar as atividades oferecidas, o equipamento, o espaço e o público alvo. Nessa ocasião deverá haver indagação sobre a formação dos professores, com particular atenção para cursos de especialização ou de capacitação profissional. O número de profissionais presentes no ginásio também deverá ser conhecido.

Considerando que a musculação é uma atividade física central na maioria das academias, cabem algumas observações com relação ao tipo de equipamento. As estatísticas indicam uma baixa incidência de lesões em musculação bem orientada, mas as que ocorrem têm como causas principais a queda de pesos e máquinas mal projetadas. Muitas academias optam por investir em marcas famosas, mas isso não é garantia de bons equipamentos. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento em anatomia pode avaliar aparelhos de musculação, mas nunca visualmente. Experimentar os aparelhos é necessário e suficiente. Do ponto de vista do praticante nada pode ser esperado de um bom aparelho de musculação além de produzir uma boa sensação de trabalho muscular com conforto nas articulações. Bons aparelhos podem utilizar o sistema tradicional de pesos guiados, mas para exercitar melhor os músculos com conforto articular muitos fabricantes estão utilizando o sistema de alavancas com pesos livres, que se mostrou superior para essas finalidades, além de apresentar qualidades como ausência de manutenção e extrema durabilidade.  Os aparelhos com sistema de alavancas e pesos livres trocam o conforto na troca de pesos pelo conforto na execução dos exercícios, que é proporcional à segurança. Conforto nas articulações significa que as mesmas estão sendo respeitadas nos seus limites de sobrecargas.

Um último aspecto, não menos importante, a ser considerado na escolha de uma academia é o valor do investimento necessário. Uma visão realista se impõe nesse aspecto: espaço físico, bons equipamentos e bons professores exigem investimentos para serem oferecidos e o custo não poderá ser muito baixo. Uma tendência atual são os pequenos ginásios, geralmente denominados estúdios, onde pouco profissionais, geralmente bem formados, conseguem oferecer um bom atendimento com preço razoável, em espaço suficiente para poucas pessoas e equipamento criteriosamente selecionado, geralmente focado nos exercícios resistidos para musculação.

* José Maria Santarem é médico fisiatra, coordenador de pós-graduação na Escola de Educação Permanente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, consultor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte e diretor do Instituto Biodelta.